Adversários da Fretilin dominam Parlamento timorense
Tudo se conjuga para que o Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, convide esta quarta-feira a Aliança com Maioria Parlamentar (AMP) a formar o IV Governo do país, na sequência das legislativas de 30 de Junho. Mas mesmo assim a Fretilin continua a insistir em que ela, como partido mais votado (29,02 por cento), é que deveria ser encarregada de constituir o novo executivo.
Terça, o Parlamento - que na véspera elegera para seu presidente o líder do Partido Democrático (PD), Fernando “Lasama” de Araújo - deu mais um golpe naquela Frente Revolucionária, ao completar a mesa com cinco deputados pertencentes à AMP.
Vicente da Silva Guterres (CNRT) e Maria da Paixão da Costa (PSD) ficaram como vice-presidentes da câmara, passando o secretariado da mesma a ser constituído por Maria Teresinha Viegas (CNRT), Maria Exposto (PSD) e Teresa de Carvalho (PD).
Apesar de tudo apontar para uma subalternização da Fretilin nesta nova fase da vida política timorense, ainda ontem à noite o presidente da mesma, Francisco Guterres, “Lu Olo”, que na véspera fora substituído por “Lasama” na chefia do Parlamento, dizia ao jornal PÚBLICO que “a Aliança nunca foi sufragada”, pelo que não deveria ser ela a indicar o novo primeiro-ministro.
A AMP foi formada, apenas em 11 de Julho, pela Associação Social Democrática Timorense (ASDT), de Francisco Xavier do Amaral, pelo Partido Social-Democrata (PSD), do antigo governador Mário Viegas Carrascalão), pelo CNRT, do ex-Presidente Xanana Gusmão, e pelo PD.
Este alinhamento de partidos foi feito para conseguir “o fim de uma era de instabilidade e corrupção”, como disse em Maio o então candidato presidencial Ramos-Horta, ao falar da “negligência e incompetência” que teriam caracterizado os anos de governação da Fretilin.
A nova maioria parlamentar, de Carrascalão, Xanana e “Lasama”, que se apresentam em sintonia com o Chefe de Estado, apresentou como objectivo “assegurar a estabilidade governativa propícia ao desenvolvimento e prosperidade de Timor-Leste”. E admitiu que o seu eventual executivo “poderá incluir membros independentes ou de outros partidos”, desde que eles assinem um compromisso de lealdade ao primeiro-ministro. Jorge Heitor

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