Por um país mais equilibrado 19-06-2007 GTM 1 @ 10:07
matateu —Seja apenas um aeroporto na margem sul do rio Tejo ou a manutenção, por enquanto, da Portela de Sacavém a par de umas pistas do outro lado, o que importa sobretudo é ter devidamente em conta o ordenamento de todo o território continental. De modo a que as terras para lá da Ponte Vasco da Gama não fiquem esquecidas.
Portugal não pode ser só Braga, Guimarães, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa. Há também terrenos mais para o interior e para baixo. Não podemos esquecer os concelhos que ficam a mais de 38 quilómetros do litoral, se não qualquer dia caímos todos ao mar, como já ouvi dizer a Miguel Sousa Tavares.
Não é possível ter tanta gente a viver entre o Minho e o Mar da Palha e depois tão pouca em Canha, Cabrelas, Mora, Pavia ou Alvito. Há meses e meses que o ando a dizer, numa autêntica cruzada por um Portugal mais equilibrado.
A plataforma logística que está a ser lançada no Poceirão é um sinal de partida para o que deve ser feito por terras de Fernão Pó, Marateca e Águas de Moura. Ou será que os ministros não viajam por esse país fora e não se apercebem da realidade, das assimetrias. Queremos um Portugal mais equilibrado!
Jorge Heitor 19 de Junho de 2007
Dúvidas quanto a Timor-Leste 18-06-2007 GTM 1 @ 11:26
matateu —O historiador José Mattoso, que coordenou a organização do arquivo da Resistência Timorense pela Fundação Mário Soares, disse numa entrevista à Agência Lusa que a "actual situação é tão complexa" que não arrisca qualquer prognóstico.
José Mattoso, também autor de uma biografia do líder da resistência Konis Santana (1957-2005), afirmou que "a realidade é complexa, não só actualmente, mas desde sempre".
"Não entendo nada dos timorenses, francamente não compreendo aquele país e aquele povo. Compreendo que Timor é constituído por uma grande quantidade de comunidades unidas por vínculos de tipo clãnico, familiar, que vêm até hoje, e que perduraram como comunidades antagónicas, devido ao seu anterior isolamento. Tinham línguas diferentes, viviam em espaços reduzidos, e cultivavam a agressividade contra os outros como forma de subsistência", afirmou.
O historiador, que leccionou em Timor-Leste de 2000 a 2005, salientou também o facto de os timorense serem "um povo com tradições culturais muito ritualizadas, muito interessantes, mas estudadas de uma maneira muito superficial, exceptuando três ou quatro estudos antropológicos sérios".
José Mattoso, 74 anos, fala de Timor-Leste de forma emocionada e até arrebatadora quando se refere ao papel da Resistência e do seu líder,Nicolau Lobato, morto em 1978.
À realidade étnica, Mattoso contrapõe "a realidade dos exilados que lutaram sempre pela independência, não com as categoriais mentais dos reinos e clãs, mas com as dos países de acolhimento, ou os esquemas mentais ocidentais conforme os partidos políticos que os apoiaram ou os apoiantes que encontraram".
Por outro lado, há os guerrilheiros que "tinham direito a ter alguns benefícios da independência, mas tiveram de ficar nas montanhas sem emprego e por vezes, até, com fome".
Segundo a análise do historiador, esta situação "levou muitos guerrilheiros e outros participantes na Resistência clandestina e até membros do clero a questionar: 'Afinal que ganhamos com a independência? são só eles [os que controlam o poder político e económico] e nós nada?'".
"A mãe do Konis, por exemplo, vive na miséria. É o que acontece a muita gente", enfatizou o investigador.
José Mattoso salientou também a "importância do papel que a ONU desempenhou em todo este processo".
Segundo o historiador, a ONU "trouxe pessoal internacional a ganhar muito dinheiro, houve muitos relatórios pagos a peso de ouro, uma intervenção empenhada do Banco Mundial, muitos projectos dirigidos por centenas de ONGs, e os seus funcionários a ganharem salários infinitamente maiores do que os dos timorenses, mesmo dos que com eles colaboravam".
Contudo, "comparativamente, na resolução dos problemas de Timor a ONU gastou muito pouco", sublinhou.
Diálogo com a Coreia do Norte 17-06-2007 GTM 1 @ 16:49
matateu —Pyongyang vai receber combustível sul-coreano
As conversações e o auxílio em combustível destinados a fazer com que a Coreia do Norte desista do seu programa de armas nucleares poderão avançar durante as próximas semanas, confirmou ontem em Ullan Bator, capital da Mongólia, o secretário de Estado adjunto norte-americano, Christopher Hill. E já na véspera dissera que os fundos norte-coreanos desbloqueados em Macau se encontravam a caminho de Pyongyang, para que o regime de Kim Jong-il aceite encerrar a centrar nuclear de Yongbyon e voltar ao diálogo com a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a China, a Rússia e o Japão.
Diplomatas norte-americanos conferenciaram entretanto em Nova Iorque sobre o convite que Pyongyang formulou à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) para que lá envie uma delegação, a verificar a suspensão das operações nas suas centrais nucleares. A resposta da organização deverá ser hoje decidida, mas a televisão sul-coreana avançou que a viagem se deverá efectuar dentro de 15 dias.
Quem vai enviar para o Norte um carregamento de fuel oil é precisamente a Coreia do Sul.
Posição controversa de Washington face ao Sudão 17-06-2007 GTM 1 @ 15:38
matateu —O embaixador sul-africano nas Nações Unidas, Dumisano Kumalo, procurou ontem fazer crer que o Sudão aceitou “sem condições” uma força híbrida das Nações Unidas e da União Africana (UA) para o Darfur; mas a verdade é que os rebeldes do território continuam a encarar o assunto com muito cepticismo. A guerrilha gostaria de ver a ONU no comando efectivo da operação, enquanto o Presidente Omar al-Bashir tem insistido em que o comando e o controlo devem ser da UA, bem como a maioria dos cerca de 20.000 soldados e polícias a mobilizar para o efeito. Nesta altura, porém, os governos africanos nem sequer conseguem pagar aos 7.000 homens que têm no terreno.
Kumalo dirige uma delegação do Conselho de Segurança que ontem chegou a Cartum, dias depois de o Los Angeles Times ter destacado que o Sudão é um aliado dos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo; e que só essa cooperação lhe terá permitido até agora fazer o que quer quanto ao Darfur.
Espiões sudaneses forneceram a Washington dados sobre a rebelião no Iraque e também procuraram localizar suspeitos da Al Qaeda que se escondem na Somália, favores esses que explicariam não ter sido o presidente George W. Bush até agora mais duro para com Al-Bashir, apesar de o acusar de genocídio.
“Os Estados Unidos estão em conflito”, porque não querem perder a cooperação sudanesa no caso do terrorismo, sintetizou Colin Thomas-Jensen, analista do International Crisis Group.
Enquanto isto, o Programa Alimentar Mundial (PAM), das Nações Unidas, manifestou-se “extremamente grato” por a França esar a encetar uma ponte aérea para levar auxílio às vítimas da crise do Darfur que tiveram de se refugiar em acampamentos no Leste do Chade, bem como a chadianos que sofrem as sequelas do mesmo conflito. O PAM organizou uma reserva de seis meses de alimentos para 240.000 refugiados sudaneses que se encontram em 12 acampamentos no país vizinho e 150.000 chadianos deslocados, de modo a que possam enfrentar a estação chuvosa que vai de Junho a Novembro.
Os EUA recorrem ao Sudão 17-06-2007 GTM 1 @ 11:29
matateu —PARIS: Once home to Osama Bin Laden, Sudan is an invaluable ally in the US-led war on terror but the cooperation may be allowing Khartoum to resist pressure to end the bloodshed in Darfur, experts say.
Sudan bowed to US demands to expel the Al Qaeda leader in 1996 and has since offered vital assistance to fight extremists, prompting the US State Department to label Khartoum “an important partner in the war on terror.”
The Los Angeles Times reported this week that Khartoum’s spies had gathered information for the United States about the insurgency in Iraq as Sudan is a crossroads for fighters making their way to the war-torn nation.
Sudan has also helped track the turmoil in Somalia, working to cultivate contacts with the Islamic Courts Union and other militias to try to locate Al Qaeda suspects hiding there, the report said.
While the United States has accused Khartoum of committing atrocities in Darfur and imposed economic sanctions, President George W. Bush faces criticism that he is soft-pedalling to avoid losing Sudanese cooperation on terrorism.
“The US is conflicted,” said Colin Thomas-Jensen, an analyst for the International Crisis Group think tank.
“On the one hand, there’s sincere concern in the White House, certainly a lot of pressure from the US Congress to deal with the atrocities in Darfur, but the overriding strategic objective of the US in the Horn of Africa is fighting terrorism and so these two issues are now clashing.”
Sudan this week agreed to allow the United Nations to deploy peacekeepers alongside a poorly-equipped African Union force serving in Darfur, where 200,000 people have been killed and more than two million people displaced in violence.
The Darfur conflict began in 2003 when an ethnic minority rose up against the Arab-dominated government in Khartoum, which then enlisted the Janjaweed militia group to help crush the rebellion. afp
A voz das FARC 17-06-2007 GTM 1 @ 11:01
matateu —Rodrigo Ganda: "Não sou intermediário"
Jean-Hébert Armengaud, em Bogotá
Rodrigo Ganda é considerado o "ministro dos Negócios Estrangeiros" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que têm em seu poder a franco-colombiana Ingrid Bettencourt e 56 outros reféns.
No dia 4 de Junho, o Presidente Álvaro Uribe, a pedido do seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy, libertou-o, a ele que tinha sido detido em Dezembro de 2004.
O Eliseu espera assim desbloquear o dossier da libertação dos reféns( a guerrilha pede em trocaa libertação de 500 prisioneiros). Mas as FARC responderam oficialmente que só a elas compete designar um eventual intermediário. Utilizam também esta libertaçãocomo instrumento de propaganda, calculando que a França conceda assim um certo reconhecimento ao seu movimento.
Temendo pela vida, Ganda está actualmente a viver nas instalações da Conferência Episcopal Colombiana, em Bogotá.
P - Por que é que Sarkozy pediu a sua libertação?
É uma questão que me coloca a mim próprio. E que é feita pela minha organização. A única resposta que encontro é que chegou à conclusão de que nem Rodrigo Ganda nem as FARC são terroristas ou narcotraficantes. Que somos um movimento de libertação nacionalcom o qual se tem de contar para encontrar uma solução para o conflito colombiano. Nicolas Sarkozy é um homem avisado que compreendeu que existem neste conflito duas partes bem definidas: o Estado e as FARC. Hoje, toda a gente na Colômbia e uma grande parte da comunidade internacional vê que existe a possibilidade de uma troca humanitária.
P - Teve contactos, antes da libertação, com funcionários franceses?
Estava numa prisão de alta segurança, não tive nenhum contacto com com o Governo nem com o povo francês.
P- Depois disso, encontrou-se com representantes franceses?
Vi um diplomata. Expliquei-lhe em pormenor como é que o Governo colombiano interpretou mal o pedido de Sarkozy. Em vez de me libertar sem condições, o Governo exerceu pressão sobre mim para que renunciasse aos meus princípios. Fui vítima de uma chantagem e o meu dever era informar a França.
P - Disse-lhe o que é que a França espera agora de si?.
Não fez qualquer proposta nem insinuação. Limitou-se a ouvir-me.
P- Nicolas Sarkozy desejava acelerar a resolução do caso dos reféns. É um malogro?
Teve um gesto de grandeza humana. Certamente pensou que eu poderia actuar neste dossier. Mas o Governo colombiano exigiu que renunciasse às FARC, o que jamais farei. Recusei inicialmente ser libertado. Ameaçaram-me então de utilizar a força para me tirar da prisão. O Governo queria dividir o nosso movimento de guerrilha, fazendo-me passar por um traidor e um desertor. O que não ajuda em nadaa uma resolução do caso dos reféns.
P - Que espera agora de si o Governo colombiano?
Deseja fazer de mim um "intermediário de paz". Não aceito. Mesmo que sempre tenha lutado pela paz e a reconciliação, sem ser negociador ou porta-voz. Precisamente por que é uma obrigação revolucionária e a minha íntima convicção.
P - Num futuro próximo, as FARC poderão designá-lo intermediário?
São as FARC e o seu secretariado nacional (de sete pessoas) que me dão as ordens e em obedeço.
P - Entrou em contacto com eles?
Só tenho um telemóvel emprestado pela Conferência Episcopal. Não tive nenhum contacto com o secretariado nem com nenhum outros membro das FARC. Seria uma loucura tentá-lo a partir de um sítio bastante vigiado pela polícia e pelos serviços secretos militares.
P - Por que é que não pode sair da sede ca Conferência Episcopal?
Não foi amnistiado nem indultado. Não considero ter sido "libertado". Em qualquer momento, o Governo pode enviar-me de novo para a cadeia. Fui condenado a 21 anos de prisão em primeira instância. E tenho ainda uma dezena de instruções e de processos em curso. Baseados em montagens grosseiras dos serviços secretos militares. Teoricamente, posso deslocar-me livremente em todo o território nacional. Mas na prática se sair é certo que serei assassinado.
P - Por quem?
Na Colômbia existe um terrorismo de Estado. O processo de desmobilização dos grupos de paramilitares (desencadeado nos últimos anos pelo Presidente) não é uma realidade. Estes grupos existem com outras designações. Perseguem as FARC e não hesitam em exterminar fisicamente os seus membros.
P - Qual é o seu estatuto nas FARC?
Sou um combatente de base e não tenho a honra de ter um posto militar na organização. Sempre fiz trabalho político. Nestes últimos anos, tinha funções político-diplomáticas na comissão internacional das FARC. Estava em contacto com governos, personalidades, jornalistas, intelectuais e partidos políticos estrangeiros.
P - Na França, com que partidos?
Abstenho-me de dar pormenores para não ser mal interpretado. Não fazia discriminação quanto às siglas políticas. A democracia burguesa francesa é avançada e dá provas de tolerância quanto à nossa dissidência.
Exclusivo PÚBLICO/Libération
Para que o Sara Ocidental se possa autodeterminar 16-06-2007 GTM 1 @ 14:16
matateu —Um malogro das conversações sobre o Sara Ocidental que amanhã principiam na localidade norte-americana de Manhasset, no estado de Nova Iorque, poderia provocar o regresso às hostilidades, declarou ontem à AFP o responsável pelas relações externas da Frente Polísário, Salem Ould Salek.
“Vamos animados de uma grande vontade política (de que se consiga um entendimento) e de boa fé”, disse Salek, enquanto Marrocos afirmava avançar para as negociações “com grande optimismo e um forte desejo de definitivamente virar a página”.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu no dia 30 de Abril que Rabat e a Frente Polisário negoceiem sem condições para que se possa concretizar a autodeterminação do território, ao fim de um impasse de três décadas, desde que em Fevereiro de 1976 aquele grupo proclamou unilateralmente uma República Árabe Sarauí Democrática (RASD).
Em 1991 foi assinado um acordo de cessar-fogo entre Marrocos e a frente independentista, mas ainda não se tornou possível até agora organizar um referendo sobre o estatuto legal daquela antiga colónia espanhola, de onde Madrid se retirou em 1975.
JH
Alcochete, um lugar ao Sul 09-06-2007 GTM 1 @ 11:01
matateu —Como desde há três meses venho a dizer, é evidente que prefiro ver o novo aeroporto internacional de Lisboa na zona que vai do campo de tiro de Alcochete ao Poceirão e a Pegões, pois que isso seria uma forma de incrementar o desenvolvimento da margem esquerda do Tejo, não sobrecarregando mais as terras de Alenquer, Azambuja e Vila Vejo na construção desta grande obra uma oportunidade de se começarem a corrigir assimetrias, para não continuarmos com oito milhões de pessoas entre Viana do Castelo e Setúbal e tão poucas para o lado da Marateca, de Vendas Novas e de Montemor-o-Novo.
A OTA tem muito pouco espaço plano para grandes pistas que nos sirvam durante os próximos 50 anos e esse mal poderá ser um bem para alargar o desenvolvimento do país um pouco mais para sueste, saindo de Aveiras de Cima e de Baixo para as imediações de Rio Frio, Canha e Fernando Pó, terrenos amplos, a desbravar.
A margem sul do Tejo é o futuro para os homens que tenham visão e não fiquem acanhados, remetidos ao povoamento excessivo do Carregado, de Alverca, do Sobralinho e de Alhandra.
Agora, com a Ponte das Lezírias, já se poderá ir de uma forma muito mais fácil para Salvaterra de Magos, Benavente, Samora Correia, Biscaínho e aí por diante, levando o progresso a terras que ficam a 46, 57, 68 quilómetros do litoral, que já não aguenta tanta construção.
O meu sonho é ver um grande aeroporto perto de Alcochete, do Montijo, da Moita, de Pinhal Novo, de Bombel, das Silveiras, para que os povos da margem sul não se sintam abandonados; cidadãos de segunda.
Estamos entendidos?
Jorge Heitor
9 de Junho de 2007
Actividades da CIA na Polónia e na Roménia 08-06-2007 GTM 1 @ 18:08
matateu —O investigador liberal helvético Dick Marty, de 62 anos, declarou ontem num relatório divulgado pela assembleia parlamentar do Conselho da Europa ter provas de que a CIA teve entre 2003 e 2005 cadeias secretas na Europa, em particular na Polónia e na Roménia. Os respectivos governos, porém, desmentiram energicamente o que é efectuado neste trabalho de 72 páginas.
Aqueles dois países do Leste europeu já tinham sido referidos em Novembro de 2005 pela organização Human Rights Watch, mas o Governo norte-americano solicitara então ao Washington Post e à cadeia de televisão ABC que evitassem especificar o respectivo nome. E agora Marty diz ter confirmação pormenorizada de que ali houve centros secretos de detenção, ao abrigo de um programa especial da CIA criado depois do 11 de Setembro de 2001, para “matar, capturar e deter” suspeitos de terrorismo.
As instalações eram dirigidas directa e exclusivamente pelos serviços secretos norte-americanos, escreve o presidente da Comissão de Assuntos Jurídicos e Direitos Humanos do Conselho da Europa, uma instituição que tem a sua sede na cidade francesa de Estrasburgo. “O pessoal local não tinha contacto significativo com os prisioneiros e executava tarefas puramente logísticas, como a segurança do perímetro externo”, prossegue o senador suíço, segundo o qual as autoridades locais não saberiam o número exacto ou as identidades dos presos.
Uma série de actos ilegais
“Cremos ter demonstrado que a CIA cometeu uma série de actos ilegais na Europa, ao raptar indivíduos, detê-los em locais secretos e submetê-los a técnicas de interrogatório equivalentes a tortura”, continua o relatório, divulgado numa altura em que o primeiro julgamento referente à actuação dos serviços secretos norte-americanos principiava na Itália.
“Cremos que o esquema foi desenvolvido a partir de determinações tomadas pela NATO em 2001, algumas das quais são públicas e outras que permanecem secretas”, esclarece este militante do Partido Democrático Livre, que pertence à Internacional Liberal. E no seu entender tanto o Conselho da Europa como a União Europeia e a própria Organização do Tratado do Atlântico Norte deveriam encarar formas de evitar que no futuro se verifiquem semelhantes abusos, protegendo-se os direitos e a dignidade humanas.
O facto, sublinha Marty, é que “não existe verdadeira estratégia internacional contra o terrorismo e a Europa parece ter estado tragicamente passiva a este respeito”, concordando ele com a opinião expressa no relatório anual da Amnistia Internacional: os governos aproveitam-se do medo gerado pela ameaça terrorista para impor restricções arbitrárias às liberdades fundamentais.
Jorge Heitor 9 de Junho de 2007
Os timorenses tentam subtrair-se ao controlo australiano 08-06-2007 GTM 1 @ 13:58
matateu —Timor-Leste está a pensar em usar as receitas dos seus campos de petróleo e de gás natural para constituir umas Forças Armadas de 3000 homens, incluindo uma Marinha equipada com mísseis, noticiou ontem o jornal The Australian, dizendo que se trata de um plano que está contra a expectativa internacional de que fosse gasto mais dinheiro nas infraestruturas.
Os autores do relatório Esdtudo 20020, que teria sido feito com o apoio de alguns conselheiros portugueses e malaios, excluíram qualquer contributo de peritos australianos, apesar de se saber que Camberra deseja controlar o sector timorense da segurança, acrescentava o artigo.
O ambicioso projecto recomenda que o jovem país recorra a uma força naval, apoiada por helicópteros armados, para proteger as reservas de petróleo e gás natural existentes no Mar de Timor e deter tanto a pesca ilegal como o contrabando.
As intenções das autoridades timorenses são interpretadas pelo articulista como uma “bofetada na cara” da Austrália, que entende que Díli apenas deveria ter uma pequena força de artilharia ligeira; pouco diferente dos 800 soldados com que conta actualmente, depois do saneamento de 600 a que procedeu no ano passado.
Timor-Leste manteve deliberadamente australianos e norte-americanos à margem dos seus planos de defesa, considera Mark Dodd no artigo de ontem, enquanto o analista de assuntos estratégicos Hugh White afirmou à rádio australiana que se trata de “um plano muito ambicioso”, o de desenvolvimento e modernização das Forças Armadas.
Outro analista de questões de defesa, Mark Thomson, citado pela Reuters, disse que aquele relatório de 141 páginas poderia ter sido preparado para o Governo timorense mas não representar necessariamente a futura política oficial do país, que deverá vir a ser dotado de um novo Executivo depois das eleições legislativas marcadas para 30 de Junho.
The Australian reconheceu que algumas forças políticas de Timor-Leste suspeitam profundamente das intenções de Camberra, que mantém no território polícias e soldados.
“Uma força militar competente e respeitada é um factor de estabilidade social, contribuindo para criar um ambiente de confiança e, por esswa via, para o crescimento e o desenvolvimento”, disse na quarta-feira o primeiro-ministro timorense, Estanislau da Silva, que acumula a pasta da Defesa. “É urgente melhorar as condições de vida dos militares e investir nas suas condições de trabalho”.
Jorge Heitor 8 de Junho de 2007

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