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Obasanjo foi substituído como Presidente da Nigéria

matateu @ 18:18

A República Federal da Nigéria, o mais populoso dos países africanos, com os seus quase 140 milhões de habitantes, tem a partir de ontem um novo Presidente: Umaru Yar’Adua, vencedor de um escrutínio recheado de irregularidades e cujo resultado tem vindo a ser contestado pela oposição.
De qualquer modo, o discreto governador do estado de Katsina, no extremo setentrional da população, disse não ter qualquer dúvida de que os compatriotas lhe deram um mandato, não se considerando um simples homem de mão do Presidente cessante, Olusegun Obasanjo, que cumprira dois mandatos consecutivos.
“Serei tão independente quanto o permite a Constituição de 1999”, garantiu Yar’Adua, um muçulmano piedoso de etnia fula que prometeu prosseguir a política reformista traçada nos últimos oito anos por Obasanjo.
Vestido de túnica branca, o novo Chefe de Estado foi ontem aplaudido pelos seus compatriotas presentes na capital federal, Abuja, para a cerimónia da tomada de posse, enquanto na maior cidade do país, Lagos, decorriam manifestações de protesto.
“Juro solenemente proteger e defender a Constituição”, insistiu o ungido, perante o presidente do Supremo Tribunal, Idris Kutigi, e apresentou como vice-presidente Goodluck Jonathan, da conturbada região do Delta do Níger, produtora de petróleo.

Contestação em Lagos
“A democracia está morta na Nigéria”, disse à BBC uma das pessoas que se manifestaram em Lagos, Justin Jalingo, não se deixando cativar pela pompa e circunstância com que decorreu a passagem do testemunho.
Segunda-feira à noite, ao despedir-se da população, Obasanjo dissera ter eliminado o risco de violentas mudanças de Governo, como o país conheceu durante as primeiras décadas da sua vida independência, iniciada em 1960, depois da colonização britânica.
A Nigéria gosta actualmente de se apresentar como a maior democracia da África Ocidental, apesar do seu fraco índice de desenvolvimento humano e de um historial de conflitos étnicos e religiosos que têm feito milhares de mortos. O mês passado elegeu sucessivamente os elementos das assembleias locais, os governadores dos 36 estados, os 109 senadores, os 350 deputados e o presidente Yar’Adua.
Há um ano Obasanjo ainda tentou modificar a Constituição, para se candidatar a um terceiro mandato, mas o Senado bloqueou-a a manobra, de modo que não teve outro remédio se não promover um sucessor que lhe parecesse de confiança. E foi aí que entrou o antigo professor de Química reconvertido em governador do estado de Katsina, de modo a fazer face ao general Muhammadu Buhari, que de Dezembro de 1983 a Agosto de 1985 dirigira uma das muitas administrações militares que os nigerianos até hoje conheceram.
Os dois principais candidatos à chefia do Estado eram muçulmanos e homens do Norte, como geralmente tem acontecido com os governantes da Nigéria, apesar de a metade meridional do país ser habitada por cristãos, que muitas vezes se têm considerado relegados para segundo plano. Um dos problemas que se deparam ao novo líder é a existência do Movimento de Emancipação do Delta do Níger, que defende uma melhor redistribuição da riqueza nacional e que muitas vezes tem recorrido ao rapto de trabalhadores estrangeiros.
30 de Maio de 2007

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