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Vai demorar algum tempo a formar o novo Governo timorense

matateu @ 17:25

Só hoje é que começam a ser contados, nas sedes dos 13 distritos de Timor-Leste, os votos das legislativas de ontem, às quais a afluência foi inferior à das duas voltas das presidenciais, disputadas respectivamente em Abril e em Maio deste ano e que acabaram por dar a vitória ao primeiro-ministro José Ramos-Horta, que se considera um independente.
O acto de ontem terminou pelas 16h00 locais (08h00 em Lisboa), sem que se tivessem verificado incidentes de maior; e agora aguarda-se com particular expectativa qual é que será o resultado a obter pelo novo Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), de Xanana Gusmão, que gostaria de vir a conseguir 20 a 25 por cento dos votos expressos. Isso poderia dar-lhe qualquer coisa como 16 a 20 deputados, num Parlamento que será agora de 65 lugares e no qual ninguém deverá conseguir uma maioria clara; nem sequer ficar com muito mais de 25 assentos.
Nas primeiras eleições timorenses, em 2001, a Fretilin, de Mari Alkatiri, conseguiu 53,37 por cento dos votos expressos, o Partido Democrático (PD), de Fernando “Lasama” de Araújo 8,72, o Partido Social Democrata (PSD), de Mário Carrascalão, 8,18 e a Associação Social Democrata Timorense (ASDT), de Francisco Xavier do Amaral, 7,84.

Pressão sobre a Fretilin
De então para cá, porém, muita coisa mudou; com a vizinha e poderosa Austrália a apostar fortemente no desgaste da Fretilin e numa coligação de interesses a formar por uma série de forças que a ela se opõem, como o CNRT, o PD e o conjunto PSD/ASDT, todos eles vistos como moderados.
Prevê-se que a próxima administração timorense venha a depender dos votos a obter pelo conjunto das listas de Xanana, “Lasama” Araújo e Mário Viegas Carrascalão, tendo Ramos-Horta lançado nos últimos dias apelos a que todos se entendam, para que se forme um Governo de unidade nacional, o mais abrangente possível.
No sentido de mais facilmente conseguir desalojar do poder a corrente histórica de Mari Alkatiri, o grupo de Xanana chamou para junto de si a facção Fretilin Mudança, de que é figura mais conhecida um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luís Guterres, o qual tem assim algumas hipóteses de voltar a chefiar a diplomacia timorense, tal como aconteceu no ano passado quando o actual Presidente, Ramos-Horta, passou a primeiro-ministro.
Jorge heitor 1 de Julho de 2007

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