Fretilin ainda vai sendo o partido mais votado
Os primeiros resultados parciais provisórios das eleições legislativas de sábado em Timor-Leste davam ontem à noite os dois primeiros lugares à Fretilin, de Mari Alkatiri, e ao CNRT, de Xanana Gusmão, respectivamente com cerca de 32 e de 24 por cento dos votos expressos. Mas não diziam respeito sequer a um sexto do eleitorado inscrito e não abrangiam o círculo de Díli, a capital, pelo que apenas poderiam ser entendidos como uma primeira indicação do que vier a ser apurado durante os próximos dias.
Também de acordo com os primeiros resultados facultados pela Comissão Nacional de Eleições, a terceira posição era para a lista formada em comum pela Associação Social Democrata Timorense (ASDT, de Francisco Xavier do Amaral) e pelo Partido Social Democrata (PSD, de Mário Viegas Carrascalão). E a quarta para o Partido Democrático (PD, de Fernando “Lasama” Araújo), que assim parecia reforçar ligeiramente os 8,72 por cento dos votos obtidos em 2001, ainda antes de ser proclamada a independência. Apenas uma quinta lista, das 14 concorrentes, estava com alguma hipótese de vir a obter representação parlamentar: a da Aliança Democrática, constituída pelo partido KOTA, de Manuel Tilman, e pelo Partido Popular Timorense, de Jacob Xavier.
Se acaso se mantiver a tendência manifestada nos cerca de 72.000 primeiros votos apurados, a Fretilin, largamente maioritária no Parlamento cessante, não chega sequer a 30 dos 65 deputados que a nova legislatura vai ter; e a CNRT fica aquém dos 20, tendo depois de entrar em concertações com o grupo ASDT/PSD e com o PD, como de um modo geral tem vindo a ser dito pelos observadores que acompanham o processo.
Eram perto de 530.000 os eleitores inscritos e não foi ainda confirmado o índice de abstenção, apenas se tendo dito que teria sido superior ao das presidenciais de Abril e Maio últimos. Tal como era previsível, as maiores votações na Fretilin, todas elas acima dos 50 por cento, verificaram-se nos três distritos do Leste (os chamados Lorosae): Viqueque, Baucau e Lautém, os mesmos em que o respectivo presidente, Francisco Guterres, “Lu Oro”, derrotou o então primeiro-ministro José Ramos-Horta na corrida para a chefia do Estado.
Jorge Heitor 2 de Julho de 2007

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