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Balanço frágil da cimeira africana de Acra

matateu @ 15:20

Dirigentes da África Austral, como o sul-africano Thabo Mbeki, e do Leste africano, como o ugandês Yoweri Museveni, rejeitaram ontem taxativamente os planos do coronel líbio Muammar Khadafi para que se avançasse de imediato para uma governação a nível continental, congregando se possível todos os 53 Estados existentes a sul do Mediterrâneo.
“Politicamente, só nos devemos integrar com pessoas que sejam semelhantes ou compatíveis connosco”, sintetizou o Presidente Museveni, no último dos três dias da nona cimeira da União Africana (UA), que decorreu na cidade de Acra, capital do Gana.
O Senegal era um dos países que estavam ao lado de Khadafi e que entendiam que se deveria avançar para uns Estados Unidos da África, mesmo que apenas com alguns dos territórios do continente; os que desde há meio século tentam ressuscitar os ideais do Congresso Pan-Africano que logo em 1919 decorreu em Paris.
“São sabidos os problemas que a União Europeia tem com os seus 27 membros. E nós somos 53...”, procurou desculpar-se o ministro ganês dos Negócios Estrangeiros, Nana Akufo-Addo, quanto à divergência de posições verificada esta semana a propósito do sonho pan-africanista.
“Nós estamos dispostos a abandonar parcial ou totalmente a nossa soberania para aderir a um Governo unitário da África. Não temos problemas”, argumentou o seu homólogo senegalês, Tidiane Gadio. Mas a verdade é que a maioria dos participantes preferiu enveredar por uma integração gradual, sem precipitações, conforme explicou o primeiro-ministro do Reino do Lesoto, Bethuel Pakalitha Mosisil.
Já o primeiro Presidente do Gana, Kwame Nkrumah, que tomou posse em 1957 e viria a ser derrubado por um golpe de estado em Fevereiro de 1966, preconizava a unidade económica, política e militar de toda a África, tendo contado com a solidariedade de confrades como o egípcio Gamal Abdel Nasser e o guineense Ahmed Sekou Touré. Mas deparara-se com o pan-africanismo relativamente minimalista do chamado “grupo de Monróvia”, dominado por figuras como Félix Houphouet-Boigny, que de 1956 a 1961 foi ministro em vários governos franceses, antes de se ter tornado Chefe de Estado da Costa do Marfim. 4 de Julho de 2007

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