Timor-Leste irá ter novo Governo
“Lu Olo” e Alkatiri consultam inclusive “indivíduos de mérito” para que se lhes juntem, numa tentativa de constituir Governo
Jorge Heitor
O secretário-geral adjunto da Fretilin, José Manuel da Silva Fernandes, declarou ontem ao PÚBLICO, que o contactou por telefone, a partir de Lisboa, estar o seu partido actualmente a procurar todas as alternativas possíveis para a formação do novo Governo timorense.
“É preciso que haja um entendimento entre todas as partes, seguindo os trâmites previstos na Constituição, designadamente nos artigos 70 e 106. Não vamos ignorar o voto popular”, afirmou aquele dirigente da força política mais votada nas legislativas de 30 de Junho, mas que mesmo assim não conseguiu sequer um terço de todos os votos válidos.
“O presidente da Fretilin, Francisco Guterres, 'Lu-Olo’, e o secretário-geral, Mari Alkatiri, estão em consultas. Não só com os partidos que conseguiram eleger deputados; mas também contras forças e indivíduos de mérito”, disse José Manuel Fernandes. E insistiu em que a aliança do CNRT, do antigo Presidente Xanana Gusmão, com os grupos de Francisco Xavier do Amaral, Mário Viegas Carrascalão e Fernando “Lasama” Araújo, que no seu conjunto parecem ter garantido 37 dos 65 deputados do novo Parlamento, não é a única alternativa possível a um Governo minoritário.
“Temos as nossas leis. E estamos à espera de que os resultados finais apurados pela Comissão Nacional de Eleições venham a ser publicados no boletim oficial; para que só depois o Presidente José Ramos-Horta convide alguém a procurar formar Governo”, esclareceu, dando a entender que o processo ainda se poderá arrastar por longos dias.
Ramos-Horta tem-se manifestado favorável a uma fórmula o mais abrangente possível, sucseptível de solucionar algumas das maiores divisões existentes na sociedade timorense, que no entender de alguns observadores se depara com o fantasma de um Estado falhado.
O antigo primeiro-ministro Alkatiri entende que, constitucionalmente, como partido com o maior número de votos, se bem que com muito menos do que os obtidos antes de ser proclamada a independência, a Fretilin deveria ser a primeira formação convidada pelo Presidente da República a formar o novo Executivo. E que se ao fim de um determinado número de semanas não o conseguisse fazer é que outros grupos o poderiam tentar. 9 de Julho de 2007

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