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Resultados timorenses vão ser publicados em Diário da República

matateu @ 14:05

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, anunciou ontem que vai reunir todos os partidos, de modo a formar “o melhor Governo possível”, depois de na véspera o ministro australiano dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, ter manifestado o desejo de que em Díli se constitua um executivo “eficaz e unificado”, na sequência das legislativas de 30 de Junho, em que nenhuma das 14 listas chegou sequer a um terço dos votos válidos.
“Proponho a união nacional, um Governo de Grande Inclusão”, disse o Chefe de Estado, na linha do que dias antes fora defendido pela direcção da Fretilin, o partido mais votado, que fica com 21 lugares na nova legislatura, de 65 deputados, indo 18 para o CNRT, do antigo Presidente Xanana Gusmão, e ficando os restantes divididos por mais cinco formações.
“Não posso aceitar uma opção que considero ruim, com a Fretilin formando um Governo que durará dois ou três meses e entrará em colapso quando a oposição, maioritária no Parlamento, bloquear as suas políticas”, acrescentou Ramos-Horta, referindo-se ao memorando de entendimento assinado esta semana para a formação de uma Aliança com Maioria Parlamentar (AMP), aliança a vigorar durante cinco anos. Dela fariam parte o CNRT, a Associação Social Democrata Timorense (ASDT), de Francisco Xavier do Amaral, o Partido Social Democrata (PSD), do antigo governador nomeado pela Indonésia Mário Viegas Carrascalão, e o Partido Democrático (PD), de Fernando “Lasama” de Araújo.
Consultado ontem por mim sobre o actual estado de coisas, o secretário-geral da ASDT, Giall Alves, afirmou ser de evitar eleições antecipadas, como aconteceria se acaso o Parlamento não aprovasse por duas vezes um orçamento que lhe fosse apresentado por um Governo minoritário, como o que seria o constituído apenas pela Fretilin e mais ou ou outro dos partidos menores. E acrescentou que “o povo quer uma vida mais estável”, pelo que todos devem demonstrar “suficiente maturidade”, caminhando para o vasto consenso recomendado por Ramos-Horta e alguns analistas .
Dado que os resultados eleitorais homologados pelo Tribunal de Recurso ainda não foram publicados no Diário da República, Alves foi da opinião de que ainda vai decerto demorar mais de quatro dias até que alguém seja formalmente convidado o IV Governo constitucional. Aliás, ainda só esta semana é que o Parlamento cessante aprovou o programa do executivo de gestão actualmente existente, formado em Maio pelo engenheiro Estanislau Aleixo da Silva, dirigente da Fretilin. E quanto ao novo Parlamento, nunca se deverá reunir antes doa dia 30 de Julho, na melhor das hipóteses.

Jorge Heitor

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