Cabo Verde afasta-se da Polisário
O Governo de Cabo Verde anunciou ontem ter optado pelo “congelamento anteriormente acordado à República Árabe Saraui Democrática” (RASD), proclamada em 1976 pela Frente Polisário na antiga colónia espanhola do Sara Ocidental, anexada em 1975 por Marrocos e a Mauritânia e totalmente anexada por Marrocos em Agosto de 1979, pelo menos em teoria, por renúncia das autoridades de Nouakchot.
O ministério cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros disse que a sua decisão “traduz a atitude de procura de coerência com o processo negocial em curso sob a égide das Nações Unidas e um sinal às partes (Marrocos e Polisário) em como a solução do diferendo, particularmente neste caso, depende em primeiro lugar da boa vontade, concessão e empenhamento”.
A RASD, segundo a Wikipédia, é actualmente reconhecida por 48 estados (depois de a terem reconhecido no passado mais 22 que já anularam esse reconhecimento e 12 que congelaram as relações, como o fez agora Cabo Verde).
Vai já em 32 anos o diferendo entre o reino de Marrocos e a Polisário sobre o estatuto do Sara Ocidental, uma superfície de 266.000 quilómetros quadrados cuja população está avaliada em pouco mais de 273.000 habitantes.
Em Julho de 1982, numa reunião da Organização da Unidade Africana (OUA), a RASD foi admitida, tendo passado depois em 2002 a ser um dos fundadores da União Africana (UA), motivo pelo qual Marrocos é o único país do continente que não faz parte desta entidade.
Actualmente, o território saraui encontra-se dividido por um muro de mais de 2.000 quilómetros de comprimento, vigiado por mais de 150.000 soldados marroquinos, só a leste dele existindo um território administrado pela Polisário e que tem a sua sede na localidade de Bir Lehhlu, fronteira com a província argelina de Tindouf. Nesta última existem quatro grandes acampamentos para refugiados do Sara Ocidental, para além de outros menores.
O Governo de José Maria Neves comunicou o congelamento do seu reconhecimento da RASD uma semana depois de haver estado na Cidade da Praia o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Benaissa, que entregou ao Presidente Pedro Pires uma mensagem especial do rei Mohamed VI. Além disso, Rabat aumentou para 15 o número de bolsas de estudo concedidas a Cabo Verde e - segundo o site cabo-verdiano A Semana on line - “pretende estender a sua cooperação a áreas como a agricultura e os transportes”.
J.H.

Do Melhor
Linkk
del.icio.us
Comentários(10) »
História do conflito do Sara
A frente Polisário, criada em 1973, foi baptizada com o nome de Polisário ou, ainda, frente de libertação de Essaquia Al Hamra e de Oued Eddahab; o seu ramo armado tem o nome de Exército de Libertação Popular Saraui (ALPS).
O grupo fundador da Polisário é composto de jovens marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos na universidade Mohammed V em Rabat.
No entanto, as situações catastróficas sofridas pelos criadores da Polisário não podem ser ignoradas de ninguém, sobretudo daqueles que as viveram.
Não nos podemos esquecer que eles formavam um grupo de uma trintena de jovens universitários, todos os originários das províncias do Sul marroquinas, que tinham decidido um dia tomar as rédeas do seu próprio destino.
Foi nesse momento que eles aproveitaram a realização das festividades do Moussem de TanTan para manifestar nas vielas estreitas daquela cidade (que ainda não o era naquela altura) e, ao quebrar o equilíbrio estabelecido depois de uma dezena de anos, a resposta não se fez esperar.
O Caïd da zona ordenou, por conseguinte, o aprisionamento destes perturbadores de última hora, e como na altura não existia uma prisão propriamente dita, este improvisou uma, e amontoou-os numa rústica mansarda de uma dezena de metros quadrados, dotada apenas de uma pequena porta, sem janela, e debaixo de um calor sufocante.
Nenhum deles podia esquecer a dureza da vida e a coragem que os tinha levado a esta situação. Viviam, como os seus pais e mães, numa miséria inconcebível, degradante, desumana. Nesta aldeola, não existiam estradas alcatroadas, nem passeios, nem água corrente, nem saneamento, nem electricidade, nem investimentos, nem, certamente, trabalho, nada que permitisse dizer que esta região fazia efectivamente parte da pátria mãe.
Estas figuras ilustres, filhos de heróis, e eles próprios membros gloriosos do Exército de liberação nacional, que tinham vindo colher o fruto da sua vitória, encontraram-se, de um dia para o outro, compactados numa mansarda sem quaisquer condições, dormindo no chão, sem tapetes, nem mesmo uma esteira, debaixo de um tecto improvisado.
Viviam apenas da assistência nacional, graças à distribuição de sacos de farinha distribuídos a conta-gotas e, para cumulo da história, quanto mais delatavam o seu vizinho, mais bem vistos eles ficavam, ou mesmo, mais bem considerados eram, e menos sujeitos à fome ficavam. Adeus dignidade!!!
É neste estado de miséria absoluta que estes corajosos guerreiros e os seus descendentes e, para alguns, mesmo os seus ascendentes, vegetavam desde que a operação Ecouvillon os tinha lançado no caminho sem saída do êxodo.
Contava-se aos milhares o número de pessoas vindas em busca da liberdade, de felicidade e de paz na dignidade. Infelizmente, nada disso foi obtido, e foi neste mundo esquecido de todos: responsáveis locais e regionais, que esta trintena de universitários tentou fazer-se entender e gritar todo o mal que pensava da sua situação social, económica, cultural e política!
Não devia ter sido subestimado o despeito e o ódio que os responsáveis administrativos tinham contra estes jovens, vindos não sabemos de que planeta, e que nem eram nem submissos nem resignados, como os seus pais. Até eram acusados de se exprimirem e de manifestarem o desacordo com a ditadura do Caïd.
Como ousam eles desafiar o poder do governador invisível erigido num monumento sagrado?
Como pretendem eles ter a audácia de dizer em voz alta o que as suas famílias pensam em silêncio?
Como foi possível ganharem a temeridade do "desesperado" para levantar a cabeça e chegar aos calcanhares do califa do bairro?
Para resfriar estas "cabeças quentes", nada melhor do que os espancar, mas este trabalho não devia ser feito por qualquer pessoa, e muito menos por um guarda militar ou um polícia. Não, eles não mereciam este privilégio, mais valia suspende-los, fecha-los, privar-lhes de comida, deixá-los sufocar e sofrer o martírio enquanto não chegasse uma secção de Makhzen móvel, estacionada a mais de duzentos Km a norte (em Bouizakarne) para os fazer vir especialmente a fim de os torturar, humilhar e fazer-lhes provar as queimaduras das chamas ardentes da dor do "indefeso", espancados por aqueles que eram considerados os mais medíocres e desumanos entre os serviços de ordem.
Nem os jovens, nem os mais jovens, compreendiam o que se estava passar, porque o seu único delito, ou melhor, o seu único crime, tinha sido de um certo dia, terem aberto os olhos, mais do que os seus pais, e terem organizado uma marcha na véspera desta catástrofe, nas vielas estreitas desta pequena povoação de Tan Tan.
Eles manifestaram para que Marrocos recuperasse ou fizesse algo para recuperar o seu Sara, que seria a garantia da melhoria de uma situação ressentida como insuportável e profundamente desesperante.
É perante esta incompreensão, este tipo de cidadania, de terceiro nível, que a sua revolta foi destrutiva e devastadora, que a ira se incrustou nos corações e nos espíritos dos mais extremistas, por serem os menos pacientes e os mais afectados pelo soar das sirenes do progressismo, os mesmos que mais se agitavam e se uniam à ideologia em voga naquele momento no nosso país, isto é, uma ideologia que pretendia erradicar tudo e que preconizava a aceleração do ritmo de uma mudança brutal.
Para resumir, tratava-se daqueles que eram incapazes de separar o trigo do joio na desordem dos anos 70 em Marrocos, os que não tinham tempo para refletir e fazer a distinção entre o que compete, no exercício do poder, à pequena autoridade local, e o que incumbe ao Estado central.
Aqueles que estavam convencidos que seriam eternamente incompreendidos e que tinham decidido fazer-se entender pela força. Resumidamente, os mais idealistas que acreditavam na revolução mundial, no Cheguevarismo e no Castrismo, decidiram, então, romper com o seu passado e renegar as suas origens, bem como as dos seus antepassados.
Foi então dada ordem aos mais vulneráveis deste grupo para se dispersarem e desaparecerem, precisamente para escaparem às rusgas dos visitantes nocturnos, para se encontrarem noutros lugares, com certos líderes, para vingarem a honra perdida e fazer justiça, devolvendo ao carrasco os golpes que ele lhes tinha infligido de bom grado!! Depressa foi procurado o responsável deste cataclismo e averiguado o nível hierárquico ao qual este pertencia.
A resposta não dava aso a qualquer tipo de dúvida: não, o califa não tem poder, o Caïd tão pouco, o guarda militar ou polícia não são ninguém e ainda menos os pobres Mokhaznis. Quanto ao governador, é "intocável" e de qualquer modo ninguém ousaria afirmar que o viu ou o ouviu, para poder testemunhar a sua existência real, nenhum dos membros deste staff pode ser considerado responsável destas "desgraças humanas".
Não, o responsável, é quem permitiu a esta escumalha de responsáveis locais de se comportarem como leões neste deserto largado ao Deus dará. Esta responsabilidade só pode incumbir à própria Administração marroquina, e não pode ser assumida por qualquer membro da administração, qualquer responsável ou funcionário e, de um modo geral, por todos os que tinham o direito e a possibilidade de abrir a boca!
É necessário, por conseguinte, vingar deste Estado que não soube, ou não pôde ou, pior ainda, não quis proteger os cidadãos, considerados como os mais pobres, embora se possam orgulhar de terem sido os mais fiéis. A decisão ergueu-se como um ideal, melhor ainda, como um mito, que infelizmente, com o passar do tempo se transformou em quimera que gerou um pesadelo.
Certamente, no início dos anos 70, estes jovens universitários marroquinos de origem saraui tinham reivindicações legítimas, de ordem política, económica e social, mas tratava-se de reivindicações de carácter interno, que tiveram lugar num quadro exclusivamente marroquino.
Estas reivindicações surgiram num momento difícil da história de Marrocos, num momento em que o Estado estava submetido a fortes pressões externas e internas. Podemos afirmar, sem equívoco, que naquela altura, ou seja, durante os anos 70, Marrocos não dispunha de qualquer poder ou força política capaz de responder de maneira positiva e favorável a uma reivindicação de carácter regional, por muito legítima que esta fosse.
Nesta altura, Marrocos estava confrontado com desafios enormes de ordem interna e externa. As prioridades eram outras, dadas as circunstâncias da época, dado que a conjuntura estava marcada por um contexto muito hostil de guerra fria e de incessantes conflitos entre árabes.
É por isso que uma parte deste grupo de universitários marroquinos de origem saraui que prosseguiam os seus estudos em Rabat, sentiu a vontade de vingança, após a repressão da manifestação de Tan-Tan, dos aprisionamentos, dos maus tratos e das torturas que se seguiram.
Estes maus tratos levaram estes jovens universitários a aliarem-se a certos países, num contexto de guerra fria e de conflitos entre árabes e entre africanos. Naquela altura, este tipo de alianças era perfeitamente permitido.
Estes estudantes universitários manifestaram esta vingança contra o seu próprio país de origem, isto é, Marrocos, do qual são originários os seus antepassados, todos os seus antepassados. Os seus pais lutaram incansavelmente, no âmbito do Exército de libertação, para a libertação do país onde estes jovens sarauis prosseguiram os seus estudos.
Os seus pais defenderam com ardor o sultão Mohammed V e prestaram fidelidade ao seu falecido filho, o Rei Hassan II. Havia que ter um pouco mais de bom senso. Nunca haviam de se ter esquecido que as autoridades marroquinas que eram, aquando da manifestação de Tan Tan em 1972, responsáveis pelos maus tratos, torturas e perseguições destes jovens universitários, também tinham sido vitimas de duas tentativas fracassadas de golpes de Estado.
Eis o panorama das grandes contradições de Marrocos dos anos 70.No entanto, todos estes motins não influenciaram o decorrer normal da história, pela simples razão que a questão do Sara é uma questão de descolonização entre Marrocos e a Espanha.
Tendo estado sob o protectorado de duas potências coloniais, a França e a Espanha, Marrocos teve que recuperar, gradualmente e por etapas sucessivas, a parte do território que estava sob o protectorado espanhol, começando pela zona do norte e Tanger em 1956, Tarfaya e Tan Tan em 1958, Sidi Ifni em 1969 e o Sara em 1975. Está marcado na história.
Isto sempre se verificou com a nossa vizinha e amiga Espanha. Todos os conflitos com este país, relacionados com o fim do protectorado, foram resolvidos pela negociação e através de vias pacíficas. Ora, os adversários de Marrocos, que fomentaram o conflito do Sara e se opõem à conclusão da sua integridade territorial, financiando e ajudando o movimento da Polisário, prepararam antecipadamente as condições desta oposição a Marrocos.
Resultado: este movimento tinha sido acolhido pela Argélia no seu território em Tindouf, devido às divergências existentes naquela época entre Marrocos e a Argélia, no que se refere às fronteiras comuns, e na altura em que Marrocos tinha concluído um acordo com Espanha, em conformidade com as relações históricas que sempre existiram entre os dois países.
De resto, Marrocos recuperou o seu Sara, através da negociação e do consenso, de acordo com o procedimento habitual que sempre manteve com a Espanha.
Tendo Marrocos recuperado as suas províncias do Sul, a Polisário não encontrou melhor idéia do que levar uma parte da população saraui para campos instalados no território argelino, aos quais foi posto o nome de campos dos refugiados, ou ainda, designados sob denominações fictícias, tais como campo de Laâyoune, campo de Smara, campo de Aouserd, ou campo de Dakhla.
A Polisário mentiu e manipulou a população que foi conduzida a Tindouf, na Argélia. Todos os Sarauis sabem que nos meses de Novembro e Dezembro de 1975, a Polisário tinha pedido a muitas pessoas para assistirem a reuniões em Gueltat Zemmour e quando essas pessoas se apresentaram para as ditas reuniões, foi-lhes pedido para se apresentarem para uma outra reunião em Bir Lahlou. Em seguida foi-lhes pedido que se reunissem em Tindouf, como armadilha para nunca mais os deixar sair de Tindouf.
Infelizmente, por falta de meios de transporte, a maior parte destes sequestrados ficou retida em Tindouf até hoje. Mas muitos deles aperceberam-se da armadilha e utilizaram todos os meios para regressar às suas casas, em Smara, Laâyoune, Dakhla e Aouserd.
Este facto verídico é do conhecimento dos Sarauis, pelo menos dos que tinham mais de 15 anos naquela altura. A Polisário premeditou, planeou e executou a instalação dos campos no território argelino.
Por que motivo a Polisario criou estes campos e continua a mantê-los num território que não é o seu, tomando por reféns as populações desmunidas de documentos de identificação, confinadas nos campos e sem liberdade de circulação?
Estas populações são vigiadas dia e noite pela Polisário que alista os seus filhos nas escolas, ensinando-lhes exclusivamente o ódio e inculcando-lhes o desespero. Perguntamo-nos quais são as razões humanamente aceitáveis que permitem a um grupo de líderes da Polisário de reter contra a sua vontade, durante mais de trinta anos, estas populações em campos? Qual é realmente o objectivo? Será uma moeda de troca?
Podemos adivinhar facilmente que sem a existência destes campos, o movimento político-militar chamado Polisário nunca teria existido. A existência da Polisário está directamente ligada à existência destes campos. Mas, esta política não leva a nenhum lado, e só poderá conduzir ao caos da deriva.
A própria existência destes campos num território hostil e em condições desumanas durante um tão longo período é uma violação flagrante dos direitos do homem.
Com que direito se pode deixar as pessoas viverem em tendas mais de 30 anos? Com que direito se pode impedir as pessoas de circularem livremente? Com que direito se pode alistar os seus filhos e inculcar o ódio e o desespero? Com que direito se pode impedir as pessoas de viverem como as outras? Com que direito se pode dispor, à vontade, da vida de uma parte da população saraui nos campos? Com que direito se pode vender a miséria humana às organizações de caridade internacionais?
São estas as verdadeiras e mais importantes violações dos direitos do homem, porque elas afectam a própria essencia do ser humano e a sua liberdade de escolher e de dispor de si próprio e da sua família.
A Polisário tem violado, constante e deliberadamente, os direitos do homem mais elementares há mais de 30 anos. Reteve prisioneiros marroquinos durante mais de 25 anos, que estiveram separados das suas famílias e dos seus pais no sofrimento total.
Qual a razão para ter infligido tanto sofrimentos a estes prisioneiros, que são seres humanos para todos os efeitos? Porque motivo os retiveram durante mais de 25 anos em condições insuportáveis, com todas as torturas físicas, psicológicas e morais que isto implica?
As perguntas são imensas, sem que se encontre uma única resposta justificável. Finalmente, este movimento foi obrigado a liberta-los sem qualquer contrapartida política. A Polisário instalou em seguida o seu Estado-maior em Hassi Rabouni, em Tindouf, e apropriou-se desde 1976 dos nomes de certas pessoas, sem qualquer fundamento jurídico, histórico e legítimo e sem a mínima consulta às populações sarauis.
A Polisário é um movimento político-militar que instituiu um sistema semelhante ao que existia nos países antigamente totalitários, com partido único, uma instituição única, uma estrutura única e uma burocracia única. O conjunto reunido num pensamento único.
Instaurou um controlo armado das populações que ele detém ou que controla, utilizando a ajuda alimentar como um instrumento de chantagem permanente e gere a população dos campos através de um sistema de controlo físico, psicológico e moral rígido, tipo Comissário político para cada actividade e serviço.
A frente instaurou os métodos de delação como meio de controlo e o alistamento permanente, ou melhor, a lavagem de cérebro dos jovens, dos adultos, como a deturpação da história ou a manipulação dos acontecimentos e o ensino do ódio como regra geral.
A Polisário é um produto de uma outra época, antes do desmoronamento do sistema totalitário, já quando o mundo começou a sofrer grandes alterações em 1991, ela permaneceu à margem destas mudanças: sem eleições livres, sem democracia, sem pluralidade, sem liberdade de expressão, sem liberdade de opinião e sem sociedade civil.
Impôs um hermetismo total e absoluto e uma compartimentação completa das estruturas de modo a que elas perdurem. Todos os movimentos de carácter político ou politico-militar semelhantes à Polisário desapareceram desde a queda do muro de Berlim. Quer mudaram de nome ou se autodissolveram, ou criaram novas estruturas correspondentes ao novo mundo globalizado, livre e democrático.
A Polisário, que pretende ser uma entidade independente, criou uma certa República Árabe Saraui Democrática (RASD), dando, ao mesmo tempo, às terras libertadas por Marrocos, o nome de Sara Ocidental ou de territórios ocupados.
Esta "RASD" está em contradição flagrante com o pedido da Polisário de um referendo de autodeterminação.
Como se pode pedir um referendo de autodeterminação para todos os Sarauis e responder antecipadamente ao seu desejo e à sua vontade criando uma entidade que não tem nenhuma base moral, histórica ou democrática?
Estes são exactamente os métodos dos movimentos totalitários antidemocráticos. Trata-se de uma prática muito conhecida, de responder em nome do povo às perguntas que não lhe são directamente feitas. A proclamação unilateral, por parte da Polisário, da "RASD" é uma violação flagrante do direito internacional. Trata-se do desrespeito da vontade do povo, o desrespeito das regras da democracia e a vontade deliberada e premeditada de obter lucros políticos através da fraude e da mentira.
É precisamente por isso que a Polisário desacreditou o seu pedido de autodeterminação livre para o povo saraui, manipulando as respostas dadas antecipadamente. Não podemos presumir que ela respeite a decisão do sarauis, uma vez que responde, por eles, antecipadamente. Não podemos pretender ser honestos e responder pelos outros. Não podemos dizer que somos fracos e ao mesmo tempo ludibriar nos princípios.
Ninguém pode dizer que existe um direito de autodeterminação dos povos de decidir do seu futuro livremente, sem qualquer pressão de qualquer parte que seja, e desacreditar-se respondendo antecipadamente a uma questão que ainda não foi levantada.
Ninguém pode dizer que é honesto, tendo anteriormente enganado. A "RASD" não tem qualquer existência territorial, ela instalou-se em Tindouf, na Argélia, e não tem povo, porque a única população de que dispõe, compõe-se de retidos dos campos que detém e controla contra a sua vontade, não é o resultado de uma eleição. Ela não dispõe de qualquer atributo de soberania, só existe na Internet e nas instituições fictícias no território de um país estrangeiro.
A Polisário, que instaurou em Tindouf instituições fictícias, tais como o governo saraui, a cruz vermelha saraui (CRS), a união da mulher saraui, a união da juventude saraui, não faz quaisquer diligências para organizar no solo argelino festividades comemorativas, como por exemplo: o 27 de Fevereiro, o 10 de Maio, o 20 de Maio ou ainda o 12 de Outubro.
Desde a sua criação, a Polisário tinha nomeado o seu primeiro secretário-geral Chahid El Ouali que foi sucedido pelo denominado Mohamed Abdelaziz, nomeado em seguida presidente, secretário-geral da Polisário ou chefe da Polisário.
A frente também não deixou de criar os seus meios de comunicação social de propaganda para apoiar as suas teses separatistas, nomeadamente "a agência de imprensa saraui", (SPS), "Rádio Sahara" ou ainda "Rádio Polisário" lançando-se de corpo e alma numa quimera absoluta sobre a questão do Sara.
De facto, quando perdeu a guerra e após o fracasso do projecto do referendo, que de resto, é irrealizável visto que seria necessário alterar todas as fronteiras, a Polisário começou a afirmar, a quem a quisesse ouvir, que o Sara é um território ocupado por Marrocos e que esta região sofre todas as formas de repressão política e de violações dos direitos do homem.
A Polisário não está em posição de poder dar lições em matéria de direitos do homem a quem quer que seja. Todos sabem que as fronteiras na região do norte oeste africano, nomeadamente os confins maroco-algéro-mauritano-malianos, foram traçados com uma régua, no momento da divisão desta parte dos territórios africanos, entre a França e a Espanha.
As fronteiras actuais não obedecem a qualquer critério de ordem geográfica, humana ou de qualquer outro tipo. Pode-se dizer, com toda a certeza, que estas fronteiras foram traçadas arbitrariamente aquando da partilha. É a razão fundamental que deu origem ao fracasso do projecto do referendo.
Os sarauis não se encontram só em Marrocos. Toda a parte do sul ocidental da Argélia, de Bechar até à fronteira mauritano-maliana, é uma região de tribos sarauis, assim como toda a parte do noroeste do território da Mauritânia e o extremo norte do Mali entre Tombouctou e a fronteira argelina, passando por Taoudenni.
É por isso que, para ter um referendo de autodeterminação livre, democrática, justa, honesta e global que permita a todos os Sarauis, sem excepção, se pronunciarem sobre o seu futuro, como o desejava as Nações Unidas, no seu plano de resolução inicial, seria indispensável alterar as fronteiras dos quatro países em causa, nomeadamente de Marrocos, Argélia, Mauritânia e Mali, de modo a que fosse possível dispor ao mesmo tempo das populações sarauis e do seu espaço geográfico e histórico, antigo e actual.
Estas mudanças de fronteiras são obviamente impossíveis, ilógicas e desprovidas de qualquer carácter de responsabilidade. Por conseguinte, o referendo baseado na identificação é, também, impossível de se realizar. Qualquer insistência em organizá-lo é uma vontade deliberada de eternizar inutilmente o conflito e o sofrimento das populações. Na mesma ordem de ideias, a Polisário não hesitou em criar mais instituições, totalmente fabricadas, com a cumplicidade de certas pessoas anti-marroquinas, por diversas razões, como é o caso das associações de amizade com o povo saraui, as associações dos direitos do homem, as associações de solidariedade com o povo saraui, as associações de solidariedade com a RASD, as associações de ajudas humanitárias, a Associação Chahid El Ouali, a associação Oum Driga, a associação dos amigos do Sara ocidental, ou a associação dos amigos do povo saraui.
Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha concluído a impossibilidade de organizar um referendo para o Sara, sem a mudança das fronteiras, a Polisario não encontrou nada melhor do que inventar a questão da autodeterminação, argumentando que esta, através do referendo, só pode conduzir ao separatismo.
No entanto, a carta da ONU, que constitui a mais alta jurisprudência a nível internacional, estipula que a autodeterminação deve ter em conta a unidade e a integridade territorial do país e que a autonomia permanece uma das melhores fórmulas da autodeterminação.
Esta autonomia existe nos países ocidentais mais desenvolvidos do mundo. É por isso que, a comunidade internacional denunciou a Organização da União Africana (OAU), por ter violado deliberadamente o direito internacional reconhecendo a fantasmagórica "RASD", do mesmo modo que a instituição que a substituiu, a União Africana (UA), que desviou igualmente do direito internacional, reconhecendo uma entidade que foi declarada por um movimento politico-militar e não com base numa consulta referendária .
Em contrapartida, o resto das organizações internacionais, como a ONU, os países não alinhados, a Liga árabe, a Organização da Conferência Islâmica (OCI), a União Europeia (UE) e a União Asiática, recusaram categoricamente de negar o direito internacional e conformaram-se com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, ou seja, encontrar uma solução política e consensual para o conflito estéril do Sara, através da negociação e do diálogo.
Com efeito, este conflito impediu a construção da União do Magrebe árabe (UMA), obstruiu todos os acordos entre os países irmãos vizinhos, Marrocos e Argélia, e impediu as famílias sarauis de regressar às suas casas para viver com os seus familiares.
Criou igualmente uma fonte de tensão no noroeste de África e fomentou a proliferação do tráfico humano, nomeadamente a imigração clandestina, o tráfico de armas e de droga, o desvio de todos os tipos de mercadorias nos campos, bem como o aparecimento do terrorismo.
A ONU envia com frequência, a estes campos, delegações do Programa Alimentar Mundial (PMA) e do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) a fim de inquirir sobre a má gestão e sobre o desvio da ajuda humanitária procedente destas instâncias e da Direcção da ajuda humanitária europeia (ECHO), destinada, em princípio, aos retidos destes campos.
O desvio da ajuda humanitária foi confirmado por várias ONG internacionais, nomeadamente "US Committee for Refugees and Imigrantes (USCRI)", “La Fondation France-Libertés” e o “European Strategic Inteligency And Security Center” (ESISC).
Estas Organizações chamaram, várias vezes, a atenção da Comunidade internacional para este fenómeno de desvio e sobre o seu impacto na situação humanitária das populações retidas nos campos de Tindouf, na Argélia.
Apesar desta triste história, a Polisário pode ainda redimir-se e retornar à razão. É inútil de se obstinar e continuar no erro. A victória nunca pertenceu aos radicalistas. Hoje, a história dá a oportunidade à Polisário de concluir um acordo honroso e vantajoso para as nossas populações e as nossas famílias.
Hoje, a história oferece à Polisário a ocasião de abrir as portas da esperança, de fazer esquecer os sofrimentos, os erros e os incumprimentos morais. Hoje, a história oferece uma ocasião em ouro à Polisário para aceitar a única solução possível, a única realizável, a mais adequada, isto é, a autonomia política, sob a soberania do Reino de Marrocos.
Se a Polisário tem um mínimo de sentimentos ou um mínimo de respeito para com os Sarauis, deveria aproveitar esta oportunidade histórica.
A Polisário deve sair da armadilha onde se encontra e não deve servir os interesses de outrem, ou ser utilizada contra os interesses do Reino de Marrocos por uma questão de hegemonia política.
Querem saber algo mais sobre a Polisário? Olhem aqui:
http://www.dailymotion.com/video/xm65h_polisario-bande-de-terroristes_news
Tindouf : 40° à l'ombre
Ecrit par Abdelhak Kettani
24-11-2007
Barbelés, miradors, Jeeps, armes légères, l’arsenal est de poids. Les hommes plaisantent entre eux, puis ouvrent la barrière pour laisser un blindé léger pénétrer dans le camp. Pourtant, pas d’adversaire en vue, tout juste quelques gamins qui jouent au football. Une femme veut aller tirer de l’eau, elle doit d’abord passer par les gardes, qui s’assurent qu’elle ne transporte rien d’autre qu’un seau vide.Quelques dizaines de tentes viennent briser la monotonie du paysage. Plusieurs milliers de personnes vivent ici.Nous sommes à Tindouf, sud de l’Algérie, 40° à l’ombre, 90 000 civils et presque autant de militaires.Nous sommes bien en 2007, bienvenue dans l’enfer des camps du Polisario.Depuis 30 ans, au mépris de tous les droits humains les plus élémentaires, des milliers de personnes issues du Sahara Marocain sont enfermées, leurs gestes épiés, leurs déplacements contrôlés, leur nourriture revendue, leurs esprits conditionnés, tout cela, pour un but, un seul : permettre à la République Algérienne Démocratique et Populaire d’assouvir sa stratégie de puissance régionale. Comment cette escroquerie de l’histoire a pu se dérouler dans le silence assourdissant de la communauté internationale ? La réponse est complexe, elle part d’Alger, passe par la Havane, a des ramifications à Lagos, transite par Pretoria, et se retrouve au conseil de sécurité de l’ONU, alors que le fond de l’affaire est d’une limpidité cristalline : aujourd’hui, en 2007, des milliers de personnes sont enfermés dans des camps, dirigés par le même clan depuis les origines, et surveillés par une armée de métier.Intimidations, tortures, disparitions inexpliquées, toute la gamme d’exactions a été exploitée par les dirigeants du Front Polisario pour assurer un contrôle total sur les corps et les esprits des habitants des camps de Tindouf. Aujourd’hui, il est temps que cela cesse…
« Ma mémoire a été violée… »
Ecrit par Saïd Mokhtari
25-11-2007
Ses mains repliées, paralysées à jamais, témoignent des stigmates de sa longue détention au sein des camps de Tindouf. Le Capitaine K., emprisonné à l’âge de 30 ans, a passé plus de la moitié de sa vie enfermé dans les geôles du Polisario. Son visage est digne, malgré les humiliations, les tortures, la faim, et une attente interminable. « Je n’ai jamais douté que je reviendrais au Maroc » nous dit-il. Pourtant, le Capitaine K est détenteur d’un record dont il aurait pu bien se passer, il fait partie des plus anciens prisonniers politiques au monde.La description de ses conditions de détention avec ses camarades ne laisse aucun doute sur l’inhumanité de ses geôliers. « En 30 ans, je n’ai jamais vu un soldat du Front Polisario, ce sont les militaires algériens qui gardaient notre prison, et qui assuraient les nombreux transferts ». Enlevé à la fleur de l’âge, le Capitaine K. n’aura pas vu ses enfants grandir. « Etre prisonnier, ça veut dire la perte de la notion du temps, les moments d’espoir se succédaient à ceux de découragement profond, notre vie a réellement changée le jour où, après avoir corrompu nos gardiens, nous avons pu avoir une télévision, ce qui nous permettait de voir les images de la mère patrie. A partir de là, tout à changé, nous nous rendions bien compte que notre pays faisait tout pour nous rapatrier, mais que le Front Polisario niait nous avoir comme otages » il poursuit : « Mon plus grand choc a été l’arrivée à Agadir, je ne reconnaissais presque rien, les routes, les bâtiments, j’avais oublié qu’il était possible de respirer sans un sentiment d’oppression, pendant trois mois, je suis resté enfermé chez ma fille, je refusais de voir l’extérieur, ma mémoire a été violée ».
Les geôliers bientôt prisonniers : La justice internationale rattrape le Polisario et l’Algérie
Ecrit par Abdelhak Kettani
14-12-2007
C’est une véritable « bombe » médiatique qui a été lancée aujourd’hui 14 Décembre 2007 à travers la plainte de victimes sahraouies auprès de l’audience Nationale Espagnole pour « Génocide et Terrorisme » à l’encontre de 28 hauts responsables du Polisario et de l’Algérie. Fait inédit, c’est la première fois que la Justice Internationale s’intéresse au cas des « Geôliers de Tindouf » et à leurs victimes. C’est donc une véritable prise de conscience de l’opinion publique internationale qui est en train de s’amorcer, alors que des soupçons de pratiques d’esclavagisme au sein des camps de Tindouf se font de plus en plus précis. , Saadani Maoulainine, Dahi Aguai, et Hosein Baida Abdelaziz ont décidé de porter leur combat pour la reconnaissance des exactions dont ils ont été victimes ainsi que leur famille sur le front de la Justice Internationale. Quiconque méprise le sens de l’histoire risque de se prendre une baffe, et les professionnels de l’univers carcéral que sont les membres du front Polisario et la sécurité militaire algérienne entendent maintenant un bruit de clés lancinant, celui des barreaux qui se refermeront bientôt sur eux…la liste exhaustive dans la suite.1. SIDAHMED BATTAL.2. SIDI WAGAG.3. EL JALIL AHMED.4. BRAHIM GHALI.5. JANDOUD MOHAMED.6. ABDELWODOUD EL FERI.7. MOHAMED SALEM SANOUSSI "SALAZAR".8.TALEB HAIDAR.9. BRAHIM BEIDILA.10. MAHJOUB "LINCOLN".11. MOHAMED LAMINE BUHALI.12. EDDA HMOIM.13. AHMEDU BAD.14. ALI DABBA.15. BACHIR MOUSTAFA SAYED.16. MOHAMED JADAD.17. MOLUD LEHSEN.18. MOHAMED HNYA "DERBALI".19. MOHAMED ALI HNYA "DEGAULLE".20. LUCHAA OBEID.21. MOLUD DIDI.22. MAHFOUD HMEINA DUIHI "ALI BEIBA".23. MOHAMED FADELN "JAPON S".24. GENERAL LAMARI.25. NABIL "KADOUR".26. NADIM BENASER.27. MAHFOUD.28. ABDERRAMAN BOUH "MICHEL".
http://camps-sequestres.org/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1
O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES
Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 09 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.
Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.
Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .
Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.
A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).
Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.
Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.
Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.
Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.
Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.
Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.
Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.
Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.
Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).
Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .
Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.
Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.
A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
Caro Hugo
Saúde para si e para a família. Nós por cá tudo normal excepto a complicação dos disparates dos amigos da Firma UPA- PDA que se pretendem grandes vítimas do nacionalismo angolano quando é certo sofrerem do nacionalismo de ricos…
Deves estar ao corrente de que provavelmente na 2ª quinzena de Setembro se deve realizar o congresso popular para modificações disciplinares no nosso movimento. Como todos os membros do comité Director devem assistir a ele, era e é máxima conveniência que respondesse ao telegrama que o MPLA te enviou confirmando a minha aceitação da proposta do presidente Nkrumah e tua a fim de eu ficar a trabalhar em Accra.
Convém que me responda se recebeu o telegrama e quando conta que eu possa aparecer aí, para também aqui se fazer um plano de trabalho de sorte a minha ausência mesmo inopinada não prejudique a boa marcha das coisas.
Recomendações da minha família à sua.
Abraço e saudações nacionalistas.
Ao seu dispor
Leo , 30/08/ 1962
José Domingos
PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO VERDE
Sede: Bissau
Conacry , 20 de Fevereiro de 965
Mr. Hugo MENEZES
P.O.BOX 1633
ACCRA (Ghana)
Caro amigo,
Em resposta à sua carta de 23 de Novembro último, temos a dizer-lhe o seguinte:
1º/ - A iniciativa da publicação, no Ghana, de um jornal em língua portuguesa, parece - nos digna do maior interesse, não podendo nos deixar de dar todo o apoio aos amigos que se dedicam à concretização dessa ideia;
2º/ - Nesse intuito, pensamos pôr, em breve, à vossa disposição, algum material escrito e fotográfico, expor -vos as nossas sugestões e enviar - vos a colaboração escrita que nos pedem;
3º/ - Dada que a sua carta nos chegou num período em que o nosso secretário geral se encontrava no interior do pais , de onde regressou apenas há alguns dias, não nos foi ainda possível enviar-lhe o artigo pedido para o primeiro número do jornal. Contamos, entretanto, poder fazê-lo brevemente.
Apresente as nossas melhores felicitações a todos quanto trabalhem para que o jornal seja em breve uma realidade.
Com os melhores votos, queiram receber as nossas
SAUDAÇÕES COMBATIVAS
VASCO CABRAL
SECRETARIAT GENERAL: B,P. 298 CONAKRY- REPUBLIQUE DE GUINÉE
O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES
Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.
Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Ainda em 1959 funda o movimento de libertação dos territórios sob a dominação Portuguesa.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.
Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .
Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.
A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).
Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.
Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.
Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.
Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.
Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.
Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.
Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.
Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.
Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).
Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .
Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.
Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.
A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO
DE ANGOLA
M.P.L.A.
51,Avenue Tombeur de Tabora
LEOPOLDVILLE
--------------
Por ocasião da campanha eleitoral que se desenrola em Portugal com vista às eleições legislativas anunciadas para 12 de Novembro corrente, o comité director do MPLA declara, mais uma vez ,o seu pleno apoio ao movimento da oposição democrática Portuguesa ao regime ultra - colonialista e fascista de Salazar.
Apesar da diversidade dos programas das várias correntes do movimento da oposição democrática Portuguesa ,o comité director do MPLA constata um denominador comum em todos esses programas : um espírito realista e democrático que, se animasse o poder político português , possibilitaria a resolução dos problemas coloniais sem necessidade a violência armada ,das confrontações sangrentas de que são já vítimas há dez meses o povo de Angola e o povo português.
Enquanto perdurar ,o regime de salazar continuará a praticar arbitrariedades e violência e só deixará ao povo de Angola a luta armada como única possibilidade de sair das intoleráveis condições de opressão e de exploração em que esse tenta mantê-lo.
É, pois evidente que, enquanto perdurar o regime ultra- colonialista e fascista de Salazar, o movimento da resitência armada do povo Angolano prosseguirá , com os seus fluxos e refluxos , até vitoria final.
Certo de que a sua luta activa e plena de sacrifício vem contribuindo concretamente para levar à morte o regime de Salazar, o povo de Angola tem o direito de esperar que o povo Português preencha as jornadas da presente campanha eleitoral com acções decisivas para o derrubamento do regime fascista.
O COMITÉ DIRECTOR DO M.P.L.A.
Léopoldville, 3 de Novembro de 1961
(A carta faz parte do Espolio de um dos fundadores do M.P.L.A DR Hugo José Azancot de Menezes.)
MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO
DE ANGOLA
M.P.L.A.
51,Avenue Tombeur de Tabora
LEOPOLDVILLE
--------------
Por ocasião da campanha eleitoral que se desenrola em Portugal com vista às eleições legislativas anunciadas para 12 de Novembro corrente, o comité director do MPLA declara, mais uma vez ,o seu pleno apoio ao movimento da oposição democrática Portuguesa ao regime ultra - colonialista e fascista de Salazar.
Apesar da diversidade dos programas das várias correntes do movimento da oposição democrática Portuguesa ,o comité director do MPLA constata um denominador comum em todos esses programas : um espírito realista e democrático que, se animasse o poder político português , possibilitaria a resolução dos problemas coloniais sem necessidade a violência armada ,das confrontações sangrentas de que são já vítimas há dez meses o povo de Angola e o povo português.
Enquanto perdurar ,o regime de salazar continuará a praticar arbitrariedades e violência e só deixará ao povo de Angola a luta armada como única possibilidade de sair das intoleráveis condições de opressão e de exploração em que esse tenta mantê-lo.
É, pois evidente que, enquanto perdurar o regime ultra- colonialista e fascista de Salazar, o movimento da resitência armada do povo Angolano prosseguirá , com os seus fluxos e refluxos , até vitoria final.
Certo de que a sua luta activa e plena de sacrifício vem contribuindo concretamente para levar à morte o regime de Salazar, o povo de Angola tem o direito de esperar que o povo Português preencha as jornadas da presente campanha eleitoral com acções decisivas para o derrubamento do regime fascista.
O COMITÉ DIRECTOR DO M.P.L.A.
Léopoldville, 3 de Novembro de 1961
(A carta faz parte do Espolio de um dos fundadores do M.P.L.A DR Hugo José Azancot de Menezes.)
Alger,1. Agosto. 1965
Caro camarada,
Cordiais saudações.
Os camaradas do centro acabam de pôr ao corrente do teu bilhete, a propósito da minha ida para Accra. Por isso me apresso a responder.
A ideia da minha ida continua de pé. Pelo meu lado,ela depende só mente da obtenção de documentação necessária para viajar. Com efeito, até à data não a conseguiu obter e, com a recente alteração aqui registada, tudo teve de voltar ao ponto zero, dado terem advindo alterações nos organismos encarregados das relações com os movimentos. Porem , essas relações encaminham-se para a normalização e é de esperar que, dentro de 15 dias, se possa tornar a pôr a questão. Daí o não poder indicar-te nome para o bilhete.
Dada esta regularização, pelo lado, e a necessária aquiscência das autoridades daí, creio que o melhor será continuarmos a tratar, cada um, da resolução destes dois problemas fundamentais ,com a vigência necessária e , logo que eles estiverem resolvidos.
Comunicamos mútua e imediatamente a sua solução.
Assim ,logo que esteja em condições de poder viajar comunicar-te-ei imediatamente.
Li atenciosamente o exemplar do “Faúlha” que enviaste ao centro e, francamente , fiquei animado com a linha política que ele defende e com o nível, a um tempo acessível e aprofundado ,das questões expostas.
As possibilidades que um tal jornal oferece à Revolução nas colónias portuguesas são imensas e ele vem , assim, cobrir a falta que fazia notar, de um orgão ideológico.
Se fosse possível ( Sei que o teu tempo é extraordinariamente sobrecarregado) gostaria que me pusesses a par das tuas ideias sobre a linha política do jornal, as necessidades imediatas a que ele tem de responder e , a longo termo, as grandes linhas sobre as quais ele se deve desenvolver, com o decorrer do tempo.
Isto permitir-me-ia enquadrar-me , desde já, na própria ideologia do jornal e, assim, no meio de Argel, procurar contactar pessoas ( Se achares válido) que possam colaborar, assim como material de informação e estudo que poderão ser úteis.
Antes de terminar, gostaria de expressar as minhas sinceras felicitações pelo número que saiu, felicitações redobradas, se se levar em linha de conta todas as dificuldades que se te deparam e que tiveste de ultrapassar para a sua aparição.
Um grande abraço do
Camarada,
Hélder Neto
Carta pertencente ao espolio do Dr Hugo José Azancot de Menezes ( um dos fundadores do M.P.L.A.)