Os atentados que estão a abalar o Paquistão
Um carro armadilhado matou ontem cinco pessoas e feriu 16 na província do Baluchistão, no Sudoeste do Paquistão, onde há rebeldes que há décadas lutam pela autonomia, anunciou a polícia. No mesmo dia em que era divulgada a fotografia de um bombista suicida que na quinta-feira à noite matara pelo menos 139 pessoas na cidade de Carachi, quando a antiga primeira-ministra Benazir Bhutto regressara do exílio.
“A idade do suspeito é de 20 a 25 anos”, declarou um funcionário da segurança, enquanto Benazir suspendia os planos de seguir para Larkana, 240 quilómetros a nordeste de Carachi, a fim de aí orar no túmulo de seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, também ele um ex-primeiro-ministro, deposto por um golpe de estado e executado em Abril de 1979.
Três dias de luto pela tragédia que se verificou na noite de quinta para sexta-feira terminam hoje; e só então Benazir decidirá o que é que irá fazer, depois de ontem partidários seus terem queimado pneus, apedrejado carros e obrigado estabelecimentos a encerrar em alguns bairros de Carachi, a maior cidade paquistanesa.
As autoridades entendem que os culpados do atentado de quinta-feira à noite foram militantes islamistas, mas ainda não sabem qual o grupo, apesar de taliban paquistaneses que trabalham com a Al Qaeda terem ameaçado aquela que era até agora líder da oposição mas que decidira há pouco aliar-se ao Presidente Pervez Musharraf.
Crê-se que a Administração norte-americana promoveu discretamente a aproximação entre Bhutto e o actual regime de Islamabad, na esperança de que assim se tornasse mais fácil neutralizar o radicalismo islamista. Mas a verdade é que nem todos os elementos da estrutura do poder, designadamente quadros da Liga Muçulmana, estão de acordo com a aliança esboçada, de modo que o panorama político se mostra extremamente complexo.

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